
Hoje o azul do céu se travestiu de cinza, não um cinza qualquer, mas um cinza chumbo, cuja própria classificação denota o peso de não ser um tom de cinza qualquer. Sob este manto, os tons de amarelo de seu cabelo esvoaçante escureciam em um estranho verde, e seus lábios cor de rosa, tão vivos refletiam apenas o rancor do céu. Maldito dia pálido. A palidez é algo engraçado... Não de graça engraçada, mais de graça curiosa, graça perplexa. Tom morto, sem vida, mas simples, elegante, fino, quase simpático. O pálido quase sempre ante vêm a inconveniente saturação. Não sei por qual bastardo motivo, mas os opostos tanto na física, quanto na vida, costumam se atrair. No entanto, diferentemente da atração mecânica, a atração na vida se dá às vezes de forma desastrosa. O contraste evidente impacta, inebria, contesta, apaixona, mas no fim quando os tons se fundem, surge a mesmice monótona dos tons cotidianos, e até o elegante pálido sozinho parece mais interessante que a combinação banal. Eis que o verdadeiro pálido jamais satura, ele apenas se colore para que um dia volte a sua palidez furtiva a procura de um pouco de cor. Já a pobre saturação fica vagando até arrumar alguém para saturar. Mas a verdadeira saturação nunca será pálida, nem se converterá em um tom normal, pois como denota a própria natureza de seu nome ela sempre será plena, repleta, pronta para colorir um pálido errante até que este se enjoe e volte ao seu insosso natural.
Por Gu Bruzzi.
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Ninah Arantes.

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