sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Para o ódio do essencial


Soneto de Fidelidade


De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu encantamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama.

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.




Vinícius de Moraes. Estoril, outubro de 1939.

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Faux Nom foi simplesmente criado para se viver do ócio. Talvez dois (super amigos) que simplesmente, em um domingo a toa, decidiram criar um blog. Aí está Faux Nom, que ce soir. Por favor, sem perguntas sobre o nome aleatório. :)