
Naquele dia, procurei a verdade nos olhos dele,
mas só achei vidro.
Desespero por dentro.
Ele se forçava em achar respostas nas paredes, em vão.
Afogando em orvalho estamos,
mais eu que ele, quando me olha com seu olhar verde derramado.
Vida sem cor, nem bege, nem vermelha, nem verde, nem branca.
Algo triste e interessante, mas nada atrativo, muito intenso,
apesar de que a ciranda me parece cada vez mais lenta.
Se diz aos sussurros: "Dois saltos em uma semana... Não me deixe mal, não me deixe sozinho"
E no escuro do quarto dele, eu digo: logo para mim, que achei que estava acabado e esquecido?
Ele murmura ao pé do ouvido: não, ainda.
Ninah Arantes.
